Primeira vez no metrô

As primeiras vezes costumam ser marcantes. Tipo o primeiro beijo, a primeira vez em uma montanha russa ou a primeira vez em que você percebeu que o mundo é um grande saco de merda e que muito provavelmente você não realizará o seu sonho de ser um astronauta ou um dançarino de uma banda de axé muito famosa. Mas algumas primeiras vezes além de marcantes são bastante peculiares e isso pode se dar por vários motivos: são aterrorizantes, espantosas (que é quase a mesma coisa que aterrorizante e eu só coloquei aqui para dar sentido aos “vários motivos”), medonhas (mesma lógica), desafiadoras e fascinantes. Assim como foi a minha primeira vez no metrô de São Paulo. Então, você, frequentador assíduo do ar condicionado gostosinho da linha amarela, mestre da baldeação na Sé, ou você, desbravador da linha vermelha em horário de pico, por favor, leia este texto com os olhos de um menino interiorano, não acostumado com a grandeza do mundão à fora. Se assim você o fizer, este texto fará muito mais sentido (espero eu).

Era fevereiro de 2016. Acordei às 4h30 da manhã. Comi algumas bolachinhas e coloquei um pacote na mochila onde também estavam os meus vários documentos e uma peça de roupa (ah, eu estava indo para São Paulo fazer a matrícula da faculdade). Fui até a rodoviária da minha cidade e comprei uma passagem para São Paulo. Após 2h30, das quais quase 2/3 do tempo foi no congestionamento do trecho Aeroporto de Guarulhos – Terminal Tietê, o ônibus parou no meu primeiro destino e o desespero já começou a trancar o meu cuzinho. “Mas que caralho de rodoviária grande da porra”. “Mas que caralho de quantidade de gente é essa?”. “Eita, porra. Como que pega o metrô nessa caralha?”. “Será que é igual ônibus?”.

Primeiro choque desesperador vencido. Ou quase. Enfim, enfrentei a multidão, segui as plaquinhas e encontrei o local onde vendia os bilhetinhos para embarcar. Comprei um bilhetinho (pois é, eu poderia ter comprado um para a volta também, mas quem disse que eu pensei nisso na hora?). Com o bilhete em mãos e já informado de que eu teria que fazer baldeação (“o que caralhos é baldeação?” google pesquisar) na estação da Luz e pegar a linha amarela, embarquei na linha azul. Com todo respeito ao heavy metal, mas a lotação da linha azul em horário de pico é o maior mosh pit que existe. Nenhuma roda punk superará o metrô de São Paulo. São Paulo é um grande show de rock e eu fui de pista.

Então cheguei na Luz. Linha Amarela, cujas estações são maiores do que os shoppings da minha cidade. Obviamente fiquei parado de boca aberta por uns 5 minutos, até que a multidão começou a me empurrar me deixando com medo de ser esmagado. Não nos alonguemos muito, porque a volta também é importante. Breve resumo: desci as infinitas escadas da Luz, esperei o metrô, tive medo do vão existente entre o trem e a plataforma (ainda não superei esse medo), conheci o ar condicionado gostosinho da linha amarela e por fim cheguei ao meu destino.

Fiz a matrícula e comecei o meu caminho de volta. Foi então que eu comecei a descobrir a grande utilidade de um bilhete único. “Mas que caralho de fila é essa?”. Eu já tinha ouvido falar que mais de 3 milhões de pessoas utilizavam o metrô de São Paulo diariamente, mas eu não imaginava que todas faziam isso de uma só vez. Se tem uma coisa que eu aprendi nesse dia foi que eu sempre devo ter créditos no bilhete único ou bilhetinhos sobrando. Mas o restante do caminho foi até que tranquilo. Tiveram uns mosh pit de menor expressão e uns pensamentos do tipo: isso tudo aqui tá em baixo da terra, mas o que sustenta isso tudo aqui? E se isso tudo aqui desmoronar? Como que eles fazem para virar o metrô? Será que ele é movido a combustível? Será que isso aqui alaga em dia de chuva? Se eu não descer na estação final para onde eu vou? Será que eu consigo correr do primeiro vagão até o último em menos de um minuto?

Mas, hoje, após um ano em São Paulo e após a criação de um sentimento de amor e ódio com a mesma, o único pensamento referente ao metrô que eu consigo ter é: quando será que o Alckmin terminará as obras que prometeu?

untitled-2Como eu queria estar no meu primeiro dia no metrô / como eu realmente estava.
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